“O fado não se explica, sente-se. Para mim é assim a voz de Ricardo Ribeiro, quando canta, tudo se transforma! Descrever por palavras é difícil, muito difícil. Há uma forma de sentir, que só Ricardo sabe como cantar, única. Sinto-me privilegiada cada vez que ouço, há algo de muito antigo mas ao mesmo tempo muito novo, muito próprio. Espero que todos percebam a pérola que aqui se encontra, nesta voz doce e amargurada, numa voz feita de saudade e sem tempo. Ouvir Ricardo Ribeiro, não se explica, Como vos disse, Sente-se!”
MARIZA
“Quando dizemos a alguém, És o maior! Não pensamos duas vezes, nem quer dizer que não admiremos outros colegas que são determinantes no Fado. Para mim o Ricardo é o Fadista mais arrebatador que conheço. É ele que me faz levantar da cadeira, é ele que me conquista o silêncio, é ele que me faz gritar. Pensam que exagero? Experimentem e vão ver o que vos acontece. Ricardo, és o maior!”
JOÃO GIL
“O Ricardo Ribeiro é um dos cantores (músico) mais talentosos e inteligentes com quem tenho o privilégio de trabalhar. Sinto além disso uma enorme sensação de irmandade e comunhão quando tocamos juntos. Irmandade essa que além de rara, é extremamente compensador e encorajador”.
PEDRO JÓIA
“Working with Ricardo is an exhilarating experience. A musician; so instinctive and natural, so deeply rooted in his culture that at all times he manages to transcend it. A singer so unusual; he never attempts to stand alone, but connects with the musicians, never missing a beat, inspiring them and letting them equally inspire him. Ricardo Ribeiro is not a singer. Or, to be more precise, not only a singer. There is a very important element of expression in Arabic music called “Tarab”. A term not easily translatable, it describes the feeling of being emotionally moved by music. Perhaps the closest to it would be the Portuguese expression of “Saudade”. A singer who can make his listeners feel “Tarab” is a “Mutrib”. Ricardo is not a singer, he is a mutrib. Ricardo Ribeiro is not just a cantor, he is a saudador... “
RABIH ABOUH KHALIL
"Não é fadista quem quer"! Ao contrário do que muita gente possa pensar ninguém opta por ser fadista, pela simples razão de que quem faz essa "opção" é o FADO! O FADO é que ESCOLHE! O FADO é que ELEGE aqueles que serão a sua face. RICARDO RIBEIRO não teve opção. O FADO TRAÇOU-LHE O DESTINO.”
RODRIGO
“UM FADO DE CONTRADIÇÕES”
O Fado de Ricardo Ribeiro é feito de contradições. Daquelas boas contradições que num artista menor seriam fatais porque se revelariam desconexas ou incoerentes, mas que num grande intérprete representam antes um equilíbrio complexo e delicado de múltiplas dinâmicas que se vão entrecruzando para tecerem uma teia fina e encantatória de sentidos e afectos. Daquelas contradições que desafiam sempre as leituras simplistas, os clichês de rotina, os rótulos fáceis. O Fado de Ricardo Ribeiro é um Fado inteligente, de alguém que reflectiu maduramente naquilo que está a cantar, que meditou sobre a forma das melodias e dos textos, que identificou os pontos expressivos essenciais, os apoios rítmicos da acentuação, as palavras que têm de ser encadeadas num único fôlego e aquelas que têm de ser emolduradas pelo silêncio, os momentos de explosão emocional e os de interioridade discreta. Mas é ao mesmo tempo um Fado instintivo, apaixonado, em que essa reflexão prévia serve apenas para canalizar um fogo interior que irrompe como uma labareda aparentemente descontrolada mas que vem arder, sem com isso perder a sua intensidade, ao longo de um percurso sempre lucidamente dominado. O Fado de Ricardo Ribeiro é um Fado antigo, com uma linhagem assumida com orgulho nos grandes mestres do passado – Marceneiro e Maurício, em particular –, mas que sabe aprender com eles da forma mais lúcida e mais respeitosa, que é a de nunca os tentar imitar mas de antes compreender a verdadeira essência do que foi a sua grandeza e reproduzir hoje o que foi o seu percurso de constante descoberta. Por isso, é um Fado sempre novo, em que a revisitação do repertório clássico se faz a cada momento com novos olhares, novas perplexidades, novas interrogações, novas respostas, novos riscos. O Fado de Ricardo Ribeiro é um Fado verdadeiro, cheio de raízes nas memórias da “gente miúda” de Lisboa de que já falava Fernão Lopes, com ressonâncias mouras, negras e ciganas a pairarem sobre preces de marinheiros e pregões de varinas. Mas é também um Fado nobre, austero, solene, trágico, que marca inequivocamente a presença de um grande Artista e de um grande Senhor.”
RUY VIEIRA NERY