Entrada  >  Blog  >  Candidatura é "essencial" para salvaguarda do património - Ricardo Ribeiro

O fadista Ricardo Ribeiro, que este ano é distinguido com o Prémio Amália para o Melhor Intérprete, definiu como “essencial” a candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade no sentido de salvaguarda do “património acumulado”.

“Na prática fadista do dia a dia não vai alterar a verdade de uma canção”, mas irá “ajudar a preservar, a manter e assegurar determinado património do qual andamos todos cá a viver”, disse à Lusa o criador de “Porta do Coração”.

“Esse que é o património: Armandinho, Jaime Santos, Alfredo Marceneiro, Joaquim Campos, Júlio Proença, Martinho d’Assunção, Raul Nery, Francisco Carvalhinho, Amália Rodrigues, para citar alguns”, disse Ricardo Ribeiro.

“É esse património e o dos novos também, porque nós vamos tendo já alguma palavra a dizer”, acrescentou.

Ricardo Ribeiro, que atua nos dias 02 e 03 de dezembro no Teatro S. Luiz, em Lisboa, afirmou que caso a candidatura seja aprovada, irá “certamente ajudar a divulgar, mas também a que se cuide desta canção e que se vejam os limites”.

“Que pensemos todos para onde queremos e ir e para onde vamos”, advertiu.

Ricardo Ribeiro, 30 anos, começou ainda menino a cantar o Fado. Em 1997 venceu a Grande Noite do Fado de Lisboa, na categoria juvenil, editando no ano seguinte o primeiro disco, “Na seiva da minha voz”. Neste mesmo ano, 1998, venceu a Grande Noite do Fado de Lisboa, na categoria sénior.

Em 2004, pela CNM-Companhia Nacional de Música, editou o segundo álbum. Nos dois primeiros álbuns surgem já os poetas que afirmou à Lusa “admirar muito”, por “compreender as palavras e os sentimentos que escrevem”. São eles Mário Raínho, José Luís Gordo e Manuel Rui.

Em 2008 gravou um CD com o libanês Rabih Abou-Khalil que, pela primeira vez, aceitou uma parceria com uma voz. Escolheu os “seus poetas” e também Tiago Torres da Silva, António Rocha e recriou uma tema de Alfredo Marceneiro, “Casa da Mariquinhas”, de Silva Tavares. O álbum foi eleito um dos dez "Top of the World" da revista britânica "Songlines".

Em 2010 editou “Porta do Coração”, em que recupera fados dos repertórios, entre outros, de Maria José da Guia e Manuel Fernandes.

Do seu percurso artístico destaca-se a participação em 2005 no espetáculo encenado por Ricardo Pais, "Cabelo Branco é Saudade", e a participação nos filmes "Fados", de Carlos Saura, e "Rio Turvo", de Edgar Pêra.

A candidatura do fado a património imaterial foi apresentada pela Câmara Municipal de Lisboa através da EGEAC/Museu do Fado em junho de 2010, e será votada no VI Comité Inter-Governamental da Convenção da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), que começa terça-feira e decorre até ao dia 29, em Bali, na Indonésia.

A candidatura portuguesa está entre as sete recomendadas pelo comité de peritos da UNESCO, ao lado do conhecimento dos jaguares, pelos xamãs da tribo ameríndia colombiana Yurupari, da música Mariachi, do México, das danças Nijemo Kolo da Dalmácia (Croácia), da música e dança tsiattista do Chipre, e a cavalgada de reis da Morávia (República Checa).
NL. Lusa/Fim.

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